sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Bandeira preta para o Brasil

No automobilismo o piloto é desclassificado da corrida quando recebe a bandeira preta.
O Brasil com muito esforço está merecendo a bandeira preta dos dirigentes das principais categorias do automobilismo mundial.



O cancelamento da Brasília Indy 300, faltando 40 dias para a prova, é um desastre.
Mas por que desastre se o Brasil e o país do futebol?
Porque nos últimos 25 anos da categoria, 5 campeonatos foram vencidos por pilotos brasileiros. E o primeiro deles, em 1989, foi vencido por ninguém menos que Emerson Fittipaldi, bicampeão da Fórmula 1 e um dos nomes mais importantes da história do automobilismo.
A Fórmula Indy é a segunda categoria mais importante do automobilismo, só fica atrás da Fórmula 1. Já que falei de Fórmula 1, mais uma prova que somos (ou éramos) também o país das pistas. Na categoria máxima do automobilismo mundial, tivemos 3 campeões: Emerson Fittipaldi (bicampeão), Nelson Piquet (tricampeão) e Ayrton Senna (tricampeão). Os três são considerados monstros sagrados do esporte.
O primeiro título brasileiro na F1 foi com Emerson Fittipaldi (o mesmo do primeiro título brasileiro na Indy), em 1972. Emerson tinha rivais como Jackie Stewart, Jacky Ickx, Clay Regazzoni, Ronnie Peterson, Mario Andretti, Graham Hill e Niki Lauda.
Já o último título brasileiro na F1 foi conquistado por Ayrton Senna, em 1991. Senna teve concorrentes ao título pilotos consagrados como Alain Prost, Nelson Piquet e Nigel Mansell.
Em 19 temporadas da era de ouro da categoria, pilotos brasileiros ganharam 8 campeonatos.
O Brasil tem um passado glorioso no automobilismo, os adultos de hoje cresceram assistindo conquistas dos pilotos brasileiros nas manhãs e tardes de domingo.
O primeiro grande golpe foi a demolição do Autódromo de Jacarepaguá, que segundo autoridades, só aconteceria após o término das obras de um novo autódromo, em Deodoro. O projeto de Deodoro não sairá do papel, e não existe nenhuma perspectiva da cidade que já sediou provas da Fórmula 1, Fórmula Indy e Moto GP, ter um autódromo novamente.
Agora, o governo do Distrito Federal cancela a etapa de abertura da temporada 2015 da segunda maior categoria do automobilismo mundial, faltando apenas 40 dias para a realização da prova e com a maioria dos ingressos vendidos.
Dificilmente o Brasil sediará novamente uma etapa da Fórmula Indy. Sobre a Fórmula 1, o contrato da Prefeitura de São Paulo com a organização da categoria vai até 2020. Mas não é novidade que Interlagos é um autódromo ultrapassado e que alguns pilotos não gostam da pista e nem da cidade. 
Enquanto isso, a reforma do autódromo de Brasília pode parar, inutilizando definitivamente a pista.
As categorias regionais estão em extinção, a Confederação Brasileira de Automobilismo não tem poder para fazer nada e os as novas gerações continuarão achando que toda a história do automobilismo nacional se resume as histórias que os pais contam sobre aquele piloto que usava o capacete com as cores da bandeira do Brasil.
Falta pouco para desmontarem os autoramas e retirarem os bate-bates dos parques.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A pressa é a maior inimiga do jornalismo

Em agosto de 2014, fiz uma matéria sobre um caso que repercutiu bastante, envolvendo uma das principais redes privadas de hospitais do país.
Desde então, tenho acompanhado a história. Após o caso, um familiar envolvido criou um movimento para divulgar situações semelhantes. Ele envia e-mails regularmente para alguns jornalistas com informações que consegue checar. Em dezembro, recebi um e-mail dele dizendo que a Polícia Civil havia concluído o inquérito e 5 médicos haviam sido indiciados. Procurei a Polícia Civil, mas como o caso já havia sido enviado ao MP, os detalhes da investigação, como os nomes dos indiciados, não poderiam ser divulgados. O promotor que estava com o caso também disse que só divulgaria as informações após o fim da apuração dos culpados. Após os órgãos oficiais negarem os detalhes, conversei com a minha chefe, e logo chegamos à conclusão que ali não existia o fundamental para fazermos a reportagem. Mas após algumas horas, fui surpreendido com a notícia em duas emissoras de TV, uma rádio e um jornal, citando o nome dos possíveis cinco indiciados por homicídio culposo. Mas qual fonte foi utilizada? O mesmo e-mail que recebi do familiar. Nenhuma empresa do grupo no qual trabalho deu a notícia. Mas não foi algo acordado, acredito que todos os chefes de redação do grupo perceberam o mesmo que eu e minha chefe.
Na última terça-feira, saiu a decisão do Ministério Público Estadual: quatro médicos foram denunciados.
Praticamente todas as empresas do grupo fizeram a matéria após a divulgação do posicionamento oficial do MP.
Gravei com o familiar novamente e perguntei em off: "Como os outros veículos de comunicação fizeram para ter os nomes?"
Ele respondeu: "Eles não confirmaram, apenas copiaram e colaram o meu e-mail."
Dormi tranquilo ontem, pois não divulguei o nome de uma quinta pessoa que para as autoridades é inocente.